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|Eu? Sou menos do que gostaria. Mais do que imagino? Não sei.Errada, torta, esquerda. Cruel. Audaciosa. Árvore em fogo. A balada da água do mar. Oração. Eu falo das casas e dos homens. Quero fazer os poemas das coisas materiais. Qual o sentido de tudo isto? Onde eu me encontro? Rebelde sem e com causa. Perdida e achada. Eu me decifro e você? Ah, me devora.| BRASIL, Centro-Oeste, taguatinga, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, Sexo, Livros, música / carícias plenas/amar...
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Borboleta soturna

 

 

Hoje irei falar do cavalheiro de armas escuras que tomou meu coração e com ele o levou para uma tumba.
Saí pela noite vestida como quem vai para um prostíbulo dos reinos soturnos,aliás, sentia-me quase lá. Desfilava entre cada avenida ,cada ruela que me faria chegar ao mundo dos palcos. Lá eu me sentiria a besta dos tolos corações, a beleza dos olhos cegos pela embriaguez. Com um charme quase mortal eu e minhas asas viajamos muito até que ébrias, sujas e inundadas pela solidão, sentamos e depois rolamos no chão, no chão que maltrata. Buscava eu alguma saliva de algum amor do céu. Vinha aquela congelante brisa e o vício dilacerante que ela me causou, entre suspiros do vento, da noite ao mole frescor, senti que era o fim, queria eu ter vivido momentos; Que noite! Ai, que bela e dolorosa noite...Como a morte pode ser tão glamurosa e hipnótica? Sofrer e amar, essa dor que sempre me desmaia de paixão.
Quase adormecida sinto suas enormes mãos sobre minhas costas a deleitarem-se. Ai, alisando minha cintura , lambendo minhas asas tão sensíveis. Eu não consigo, nem quero abrir os olhos. Começo a cair e sei que sobre as minhas ancas ele irá montar ,as minhas pequenas ancas, há de vir me surpreender puxando-me para o seu corpo. Eu já não me seguro. A louca vontade de beber cada gota de sua saliva , eu, como todas as noites, a cada minuto esperado com uma gula surpreendente, deixo ele me usar como objeto mágico ,lira de gozos,violino sedento pelos leves e desesperados toques do seu dono, assim meu corpo, já em chamas, consegue sentir a força dos seus braços, só queria sentir , nada mais. Virou-me ao avesso; Logo senti as minhas pernas tremerem. Seus beijos eram eternos orgasmos ,seus sussurros ora angelicais ,ora infernais , com sua língua de dragão tão quente e tão molhada em meus seios a se enrolar. Ai, eu já não poderia voar.
Encostou-me nas paredes lodosas geladas e escuras aonde os parasitas se alimentam. Ele se esconde e me confunde. Acariciou-me os cabelos ondulados, senti um carinho paternal, logo após, puxou-os como se fossem a crina de uma égua no cio e me sodomizou, que torpor! Eu rezava para que nunca mais parássemos, suas burlescas pareciam já fazer parte de mim e foi assim até que no meu gozar ele partiu levando a noite, a lua e as estrelas. Num manto negro a alma escondeu-se.
Lá fiquei parada, novamente, para tumba meu coração ele levou, agonizando, logo me senti pois sem esse vicio misto de loucura e paixão. Eu borboleta já não posso voar!

“Haverá sempre olhares que te espreitam, por vezes conseguimos sentir!
Nunca te escondas,nunca te confundas”



- Postado por: Meretriz às 22h37
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Insanidade

 

 


Já sinto sua perturbadora presença.
Posso sentir seu olhar arisco.
Olhando através da lente da minha alma.
Lambendo os lábios ,ela vem sedenta
E eu já não consigo reagir...
Seus ataques são de leve, mas já sinto começar o frenesi
Uma mordida aqui outra acolá ...
Já eu tonto começo a me lambuzar
Em seus seios já querendo nadar
Não consigo fugir,dos seus abraços,
Seus leves alisados, as leves puxadas nos meus cabelos,
Já começam me fazer delirar
Eu quero, ela sabe o que eu quero
E ela fada louca dos submundos musgos,
Pode me dar
Venha dama verde,confunda-me com teus olhos hipnóticos,
Entorpeça-me com tuas sombras vermelhas,azuis,amarelas...
Vens bailar,
Já sou eu que te forço a dançar,
As amarras agora tomei,
 Irei uma música hébria em teus ouvidos sussurrar,
Para os teus ouvidos aquecer,
Até que tu venhas a surtar com os meus lábios
Em teu pescoço a tremer,
Montarei em ti,
Em tuas ancas ei de sentir o serpentear dessa dança mortal,
Mas de tanto prazer que  não posso engolir
Vem fada louca,com tuas asas de borboleta violáceas
Qual o liquido,que de teus olhos hão de fluir,
Ao enlouquecer do nosso ir e vir
Que a qualquer deus irá pirar
Se danados ousarem curiar
O mais lindo copular
As peles que se misturam
Os fios já não sabemos a quem pertence
As línguas tornadas em uma só
Saliva de cão maldito,que ao cair no chão
Dissolverá qualquer resquício de sanidade
Que bem vinda depois dessa copula jamais .
Ai ,não consigo minhas mãos sentir!
Minhas pernas ela engoliu,pareço agora sufocar
Ela  conseguiu para o submundo me levar
Meus olhos começam a queimar
Já não consigo enxergar,a insanidade total me possui
Mil mãos estão a me apertar,se meter,a lamber,a cuspir...



- Postado por: Meretriz às 14h49
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